APRESENTAÇÃO

O Concelho de Estarreja, pertence administrativamente ao distrito de Aveiro (Beira Litoral), localiza-se na sub-região do Baixo Vouga e integra-se numa individualidade regional - a Ria; caracteriza-se pela existência de esteiros e canais em todas as freguesias e esta influência marinha contribuiu para se constituir nela e ao seu redor, uma diversidade de biótopos (águas livres, ilhas com vegetação, vasas e lodos, sapais, salinas e campos agrícolas), com grande importância do ponto de vista ecológico.

Todo o concelho é bastante recortado por linhas de água, sendo o mais importante o rio Antuã, caracterizado por margens bem protegidas onde se registam por vezes declives superiores a 25%, ao mesmo tempo que imprime à paisagem um encanto surpreendente e bucólico, pelas represas e azenhas ao longo do seu curso. Pela sua situação geográfica integra-se na faixa dos climas temperados (T.M.A. - 14° C) de influência mediterrânica.

É limitado pelos concelhos de Ovar, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha e Murtosa, sendo servido por uma importante rede viária.

O concelho é, essencialmente, agrícola (a major fonte produtiva vem do sector animal e da cultura do milho), sem contudo deixar de ser um centro industrial de grande importância no distrito de Aveiro.

Para ilustrar esta afirmação, transcreve-se um excerto de um texto de Eduardo Alberto da Costa:

''...Domina no concelho (...)a pequena propriedade. A agricultura, apesar de se notar um certo incremento do sector industrial (...), continua a ser uma actividade com predominância no quotidiano das gentes do concelho. Os operários na sua grande maioria, quase que só o são (...) nas horas vagas (...), já que terminado o trabalho fabril há o regresso à recolha do pasto pare os animais, à rega do milho, ou à sementeira das batatas, trabalhos que já foram adiantados pelas mulheres ou demais familiares (...).




SUMÁRIO



HISTÓRIA

Estarreja, terra ribeirinha, onde o verde dos campos em contraste com o casario branco, imprime à paisagem pinceladas de beleza ímpar, comparáveis a um retrato tranquilo e perene de história.

Sob a denominação de Vila do Antuã, nome do rio em cuja margem esquerda se situa, Estarreja recebeu o "Foral do Antuã" de D. Manuel I em 15 de Novembro de 1519, sendo uma das vilas compreendidas sob a designação de "Terras de Santa Maria".

A 12 de Novembro de 1667, sob a designação de Santiago de Beduído, D. Afonso VI fê-la cabeça de condado. O conjunto das sete freguesias que constituem o concelho de Estarreja, albergam alguns belos exemplos de arquitectura religiosa, que servem igualmente pare mostrar a religiosidade de um povo que em romarias de grandes tradições venera os seus Santos Padroeiros em reposições fiéis de vivências do passado.

E foi deste povo, vocacionado pare o trabalho e pare o sacrifício que saiu o único Prémio Nobel Português, o Professor Egas Moniz, que como manifestação de apreço e carinho, legou a Estarreja e ao Mundo, a Casa-Museu Egas Moniz, situada em Avanca, repositório único de Arte, Ciência e Cultura e que poderiamos definir numa frase do seu patrono:
"Os Museus por modestos que sejam são Centros de Educação e Regalo Espiritual".

A simbiose de Terra, Povo e Água que se entrelaçam ao longo de séculos para fazer a História deste povo, que nas mãos calejadas pelo trabalho da terra fizeram nascer o Lavrador e o Pescador, inspiraram igualmente o colorido do seu artesanato que num saber acumulado de gerações, confeccionam as algibeiras, as rodilhas, os galrichos, as mantas coloridas, as esteiras, as cangas polícromas e carregadas de valores antropológicos ou mesmo os barcos moliceiros, carregados de cor e elegância que conseguiram com toda a sua imponência e poesia transformar-se nos verdadeiros "Ex-Libris" das gentes ribeirinhas, ao mesmo tempo que encerram segredos milenários nas suas fórmulas de construção.

Na gastronomia, a caldeirada de enguias, o queijo, os rojões, o vinho, a carne assada ou a regueifa doce fazem as delícias dos apreciadores mais exigentes.